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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Advento, estamos à espera do Salvador!

Toda a liturgia do Advento é apelo para se viver alguns comportamentos essenciais do cristão : a expectativa vigilante e alegre, a esperança, a conversão, a pobreza. Somente na vivência profunda destes elementos, o nascimento de Cristo terá um sentido profundo em nossa vida e não uma simples lembrança histórica.

1) A expectativa vigilante e alegre caracteriza sempre o cristão e a Igreja, porque o Deus da revelação e o Deus da promessa, , que manifestou em Cristo toda sua fidelidade ao homem.Em toda a liturgia do Advento ressoam as promessas de Deus, principalmente pela voz de Isaías, que reaviva a esperança de Israel.

A esperança da Igreja, portanto a nossa esperança, é a mesma de Israel , mas já realizada em Cristo. O olhar da comunidade , fixa-se com esperança mais segura no comprimento final, a vinda gloriosa do Senhor: "Maranatha: vem ,Senhor Jesus". É o grito e o suspiro de toda Igreja e de cada um de nós, em seu peregrinar terreno ao encontro definitivo do Senhor.

A expectativa vigilante é acompanhada sempre pelo convite à alegria. O Advento é tempo de expectativa alegre porque aquilo que se espera certamente acontecerá. Deus é fiel. A vinda do Salvador cria um clima de alegria que a liturgia não só relembra , mas quer que seja vivida por cada um de nós.

2) No Advento, toda a Igreja vive sua grande esperança. O Deus da revelação de Jesus tem um nome: "Deus da esperança" (Rm 15,13). Não é o único nome do Deus vivo, mas um nome que o identifica como "Deus para nós e conosco". Este tempo deve ser para nós, e todos precisamos,um tempo de grande educação à esperança: uma esperança forte e paciente; uma esperança que aceita a hora da provação, da perseguição e da lentidão no desenvolvimento do reino; uma esperança que confia no Senhor e nos liberta das nossas muitas impaciências.

Esse empenho da Igreja torna-se mais forte e urgente diante das grandes áreas vazias de esperança, que se registram no mundo contemporâneo, inclusive no nosso Brasil. A geografia do desespero é maior e mais terrível do que a geografia da fome e é expressão aterradora do avanço de anti-humanismos destruidores, como a droga e a violência. 


3) Advento, tempo de conversão. Não existe possibilidade de esperança e de alegria sem retornar ao Senhor de todo o coração, na expectativa da sua volta. A vigilância requer luta contra o torpor e a negligência; requer prontidão, e portanto,desapego dos prazeres e bens terrenos (cf. Lc 21,34 ss).

Os comportamentos fundamentais do cristão exigidos pelo espírito do Advento, estão intimamente unidos entre si, de modo que não é possível viver a expectativa, a esperança e a alegria pela vinda do Senhor, sem uma profunda conversão. Por outro lado,como as tentações da vida presente antecipam a tribulação escatológica, a vigilância cristã exige um treinamento diário na luta contra o maligno; exige sobriedade e oração contínua: "sejam sóbrios e fiquem de prontidão" (1 Pd 5,8-9).

4) Enfim, um comportamento que caracteriza a espiritualidade do Advento é o do pobre. Não tanto o pobre em sentido econômico, mas o pobre entendido em sentido bíblico: aquele que confia em Deus e apóia-se totalmente nele. Estes anawîm, como os chama a bíblia, são os mansos e humildes, porque as suas disposições fundamentais são a humildade, o temor de Deus, a fé.

Jesus proclamará felizes os pobres e neles reconhecerá os herdeiros do Reino,e ele mesmo será um pobre. Maria, a mulher do advento, emerge como modelo dos pobres do Senhor, que esperam as promessas de Deus, confiam nele e estão disponíveis à atuação do plano de Deus. Não nos esqueçamos que a pobreza do coração, essencial para entrar no Reino, não exclui, mas exige a pobreza efetiva, a renúncia em colocar a própria confiança nos bens terrenos.

Vivendo assim este " tempo de graça" que a Igreja nos oferece, o Natal do Senhor de 2002 terá um novo sentido em nossa vida espiritual.

Padre Gian Luigi Morgano

domingo, 30 de novembro de 2014

Eucaristia


       O que é Sagrada Eucaristia?

A Sagrada Eucaristia é o Sacramento em que Jesus Cristo entrega Seu corpo e Seu sangue - Ele próprio - por nós, para que também nos entreguemos a Ele em amor e nos unamos a Ele na Sagrada Comunhão. Assim nos ligamos ao corpo único de Cristo, a Igreja.

 A Eucaristia é, depois do Batismo e da Confirmação, o terceiro sacramento da iniciação cristã da Igreja Católica. A Eucaristia é o misterioso centro de todos estes sacramentos, pois a imolação histórica de Jesus na cruz torna-se presente, de uma forma oculta e incruenta, durante a consagração do pão e do vinho. A Eucaristia é, portanto <<fonte e centro de toda a vida cristã>> (Concílio Vaticano II, Lumen gentium, nº 11). Tudo aponta para ela; aliás, não há nada maior que possa alcançar. Quando comemos o pão partido, unimo-nos ao amor de Jesus, que no madeiro da cruz nos ofereceu o Seu corpo; quando bebemos o cálice, unimo-nos Aquele que até derramou sangue durante a Sua oferta por nós. Não inventamos este rito; foi o próprio Jesus que celebrou com os seus discípulos a Última Ceia e antecipou a Sua morte; Ele ofereceu-Se aos Seus discípulos sob sinais do pão e do vinho e exortou-os a celebrarem a Eucaristia a partir de Sua morte: <<Fazei isto em memória de Mim!>> (1Cor 11, 24)

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sexta-feira, 25 de julho de 2014

História da Igreja, Inquisição: O Caso Giordano Bruno


        Giordano Bruno, filósofo do século XVI, é um dos personagens que foram mortos na Inquisição, sendo apontado como um dos casos polêmicos pelos adversários da Igreja.
        Vamos apresentar aqui um resumo do seu caso, conforme as informações deixadas pelo saudoso D. Estevão Bettencourt (PR, 1975).
        Seu nome de batismo era Filippo, italiano, nasceu em Nola, perto de Nápoles, em 1548. Recebeu uma boa educação e era inteligente. Logo nos seus 15 anos entrou para a Ordem dos Dominicanos, sendo ordenado sacerdote em 1572. Bruno viveu no tempo do advento do protestantismo; leu as obras clássicas e outras surgidas no ardor do Renascimento e se deixou influenciar por elas, então, começou a conceber ideias estranhas à fé. Passou a duvidar da Santíssima Trindade e da Encarnação do Verbo, por exemplo.
        Desde os 18 anos mostrava essas dúvidas de fé devido à forte influência dos filósofos humanistas dos séculos XV e XVI, que tinham a tendência de fundir o cristianismo com as doutrinas da antiga filosofia pagã, especialmente o neoplatonismo panteísta ou monista. Essas doutrinas fascinavam os estudantes da época.
       Giordano se inclinava a aceitar a interpretação racionalista dos dogmas cristãos, isto é, o Filho seria apenas o "intelecto do Pai" e o Espírito Santo seria apenas "a alma e o amor do Universo". Cristo não seria Deus, mas apenas sua divindade seria um título para expressar a extraordinária assistência que Deus dava ao homem Jesus. Assim, concebia a Religião como símbolos de verdades intelectuais, adaptadas à mentalidade do povo, apenas com valor prático e disciplinar. Na verdade, Bruno já antecipava o racionalismo e o iluminismo dos séculos XVII e XVIII.
       Por causa de suas ideias heréticas abriu-se em Nápoles um processo inquisitorial contra ele. Giordano fugiu para Roma, abandonou o hábito religioso e se fixou em Genebra onde o calvinismo se implantara; aderiu ao calvinismo, mas logo se desentendeu com os mestres calvinistas que o processaram em 1580. Da mesma forma, se desentendeu com os mestres de Paris, Londres e Oxford. Passou a ter a vida errante pela França, Inglaterra, Boêmia, Suíça, tendo se fixado em Veneza, em 1592.
       Suas estranhas ideias eram expostas em livros e pregações. O seu escrito mais famoso foi o diálogo "Spaccio della Besta Triunfante" (Expulsão da Besta Triunfante), escrito em Paris, em 1584. Publicou também "Candelaio" (Candelabro), uma comédia das mais obscenas de sua época.
       Nesta obra, Giordano apresenta um confuso tratado filosófico em que defende uma ideologia panteísta, onde Deus é a mônade inicial que entra na composição de qualquer ser visível; a matéria e o espaço são infinitos como Deus; as almas podem emigrar de um corpo para outro; e até mesmo para outro mundo; uma mesma alma é capaz de habitar simultaneamente em dois corpos; e o mundo é eterno, existe desde toda eternidade. As suas análises bíblicas são fantasiosas e com pouco rigor exegético. Para ele somente os hebreus seriam desdentes de Adão e Eva; os outros homens teriam nascido de outro casal criado por Deus anteriormente.
        Segundo seus ensinamentos Moisés não recebeu de Deus os Dez Mandamentos, mas os teria criado; e seus milagres eram apenas fruto de magia. Cristo era considerado por ele como um mago de grande importância e poder.
        Sua estada em Paris foi agitada por causa de suas ideias. Bruno tinha Aristóteles como o mais estúpido dos filósofos e dizia que, após a morte, a sua alma emigrara para um asno. De 1583 a 1585, ajudado pelo rei Henrique III da França, foi para Londres; voltou para Paris, onde não pôde permanecer; passou então para a Alemanha, detendo-se em Mogúncia, Wittenberg, Helmstadt e Frankfurt, depois foi para Praga e Boêmia. Facilmente se dirigia a seus adversários chamando-os de de asno, porco, louco, urso, lobo, besta... Vários de seus livros eram cheios de obscenidades, blasfêmias e defesa a poligamia.
        Quando ele residia em Veneza, o Grão-Duque Giovani Mocenigo quis aprender com Bruno a arte de usar bem a memória, que segundo Bruno estava ligada à magia. No entanto, o Grão-Duque ficou muito impressionado com as heresias dele e o acusou diante do Santo Ofício como herege. Assim, em 1592 começou um processo inquisitorial contra ele. As autoridades eclesiásticas de Roma quiseram orientar diretamente o seu processo; sendo Bruno enviado a Roma em 1593. O processo foi lento porque ele era inteligente e sabia se manter submisso às autoridades, mas sem abrir mão de suas ideias estranhas.
         Por fim, se recusou a se retratar, em 14/01/1599 diante da Congregação do Santo Ofício, de oito acusações de heresia em suas doutrinas. Depois de sentenciado e condenado, os juízes lhe concederam um prazo de oito dias para se retratar para que se reabilitasse, o que não fez. Depois de três anos ele foi declarado transgressor dos seus votos monásticos e apostasia da fé, e foi entregue ao braço secular.
        Após sua condenação, acompanharam-lhe alguns sacerdotes, assim como os irmãos da Fraternidade de São Giovanni Decollato que se destinava a reconfortar espiritualmente os condenados à morte. Giordano persistiu em recusar qualquer forma de religião positiva e rejeitou o Crucifixo que lhe apresentaram quando em 17 de fevereiro de 1600 foi para a fogueira.
        Não é verdade que Bruno tenha sido condenado por ter defendido o sistema heliocêntrico de Copérnico e nem a pluralidade dos mundos habitados, mas sim por causa de seus erros de doutrina.
        Quem tornou Giordano Bruno conhecido foi o filósofo Jacobi (1818) com suas "Cartas sobre a doutrina de Spinoza", onde apresenta Bruno como precursor do panteísmo do pensador judeu Baruch Spinoza (1677). Também Schelling (1854) e Hegel (1831) deram ênfase a Giordano Bruno tomando-o como defensor inicial do seu sistema panteísta. Da mesma forma o positivismo, que rejeita a metafísica (reflexão em torno de matérias invisíveis), enalteceram Bruno por causa do naturalismo (recusa do sobrenatural) que ele professava.
         Da mesma forma os nacionalistas italianos e os liberais de esquerda tomaram Bruno como um símbolo do seu espírito anticlerical e anticatólico. Forte propaganda fez Giordano Bruno um mártir da Inquisição; como tenta-se fazer também com Galileu Galilei, Bruno passou a ser, então, um símbolo do espírito de revolta contra a Igreja Católica e suas instituições tradicionais.
        Resumindo, podemos dizer que ele é o último representante do grande surto de ideias do Renascimento, contra o pensamento escolástico medieval, voltando às fontes gregas pagãs. Para D. Estevão Bettercourt "Bruno parece ter-se perdido no emaranhado das diversas correntes gregas de pensamento (pitagorismo, orfismo, atomismo, panteísmo, emanações, magia e racionalismo), resultado daí um sincretismo sem unidade e harmonia". Tudo isso perturbou-lhe a vida, tornando-se um errante rejeitado por onde passava, até a morte. Alguns historiadores levantam até a hipótese de Giordano Bruno trazer alguma anormalidade psíquica.
          Carlo Ponti, cineasta notoriamente hostil à Igreja, fez um filme sobre ele, "Giordano Bruno"; o filme coloca a Igreja em posição difícil por causa da condenação do mesmo, sem levar em conta os aspectos sociais, políticos e religiosos da época. O cineasta quis fazer de Bruno um defensor da liberdade de pensamento, arauto do valor absoluto da razão, defensor da democracia e dos direitos dos pequenos e contestador da Igreja e suas instituições.
         A frase mais significativa do filme é: "Errei quando julguei que poderia reformar o poder mediante aqueles que detêm o poder". Bruno é colocado como vítima injustamente perseguida e como tal, o que é comum, atrai a solidariedade do público. Mas o filme não mostra os erros crassos dele e nem mesmo o contexto da época. A Igreja, como é comum em muitos desses filmes, é mostrada de maneira negativa e sarcástica, onde só aparecem os seus defeitos, mas nuncas as suas grandes obras humanas, científicas, sociais e caritativas para salvar o Ocidente. Infelizmente o filme é repleto de inverdades.
         O processo e morte de Giordano estão dentro do contexto da Idade Média cristã, onde o homem medieval tinha como mais valioso o bem da alma que do corpo, e julgava que da mesma forma que é réu de morte quem põe em perigo a vida do corpo, deve ser réu de morte aquele que pela prática e difusão da heresia põe em perigo a alma do seu próximo. Assim, o medieval, com a consciência tranquila, concluía ser lícito e necessário eliminar da sociedade os cidadãos que se obstinavam na heresia, pelo perigo de destruir a verdade revelada por Deus. A fé era um valor tão absoluto, que o homem medieval não aceitava que alguém de "reta intenção" pudesse negar uma verdade da fé católica.
         Por ocasião das celebrações do Jubileu do Ano 2000 foi realizado em Roma um Congresso sobre Giordano Bruno; transcrevemos a seguir as palavras do Cardeal Ângelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano sobre o evento, em 14/02/2000.
        Ao reitor da Pontifícia Faculdade teológica da Itália Meridional:
        "Com a carta de 18 de Janeiro passado, vossa Reverência quis gentilmente assinalar ao Santo Padre a iniciativa do Congresso, que essa Faculdade Teológica celebrará nos dias 17-18 de Fevereiro do corrente ano, sobre o tema: "Giordano Bruno: para além do mito e das opostas paixões. Uma verificação histórico-teológica", e ilustrou ainda o sentido que, na óptica do Grande Jubileu, se quer dar a esse Congresso."
          "Semelhante verificação parece importante, quer para pedir perdão a Deus e aos irmãos pelas faltas eventualmente cometidas, quer para orientar a consciência cristã para um futuro mais vigilante na fidelidade a Cristo."
          "Portanto, Sua Santidade soube com prazer que, precisamente com estes sentimentos, essa Faculdade Teológica quer recordar Giordano Bruno que, no dia 17 de Fevereiro de 1600, foi executado em Roma na Praça "Campo dei Fiori", após o veredicto de heresia pronunciado pela Tribunal da Inquisição Romana."
          "Este triste episódio da história cristã moderna às vezes foi assumido por algumas correntes culturais como motivo e emblema de uma áspera crítica em relação à Igreja. O estilo de diálogo inaugurado pelo Concílio Vaticano II convida-nos a superar toda tentação polêmica, para reler também este evento com espírito aberto à plena verdade histórica."
         "Portanto, e para desejar que o mencionado Congresso, partindo dos interesses próprios de uma faculdade de teologia, possa oferecer um contributo significativo às finalidades da avaliação da personalidade e da vicissitude do filósofo de Nola que, como se sabe, recebeu precisamente em Nápoles, no convento de São Domingos Maior, a sua formação e ali fez sua profissão religiosa na Ordem dos Pregadores."
         "Na realidade, também com base em atualizadas pesquisas feitas por estudiosos de diversa inspiração, parece aceite que o caminho do seu pensamento, que se desenvolveu no contexto de uma existência, sobretudo movimentada e tendo como cenário uma cristandade infelizmente dividida, o tenha levado a opções intelectuais que se revelaram de maneira progressiva, sobre alguns pontos decisivos, inconciliáveis com a doutrina cristã. Compete a uma investigação ulteriormente aprofundada avaliar o efetivo alcance do seu afastamento da fé."
         "Resta o fato que os membros do Tribunal da Inquisição o processaram com os métodos de coação então comuns, pronunciando um veredicto que, em conformidade com o direito da época, foi inevitavelmente portador de uma morte atroz. Não nos compete exprimir juízos sobre a consciência de quantos estiveram implicados nesta vicissitude. Quanto emerge historicamente nos dá  motivo para pensar que os juízes do pensadores estavam animados pelo desejo de servir a verdade e de promover o bem comum, fazendo também o possível para salvar a própria vida. Objetivamente, porém, alguns aspectos daqueles modos de proceder e, em particular, o seu final violento por mãos do poder civil, não podem deixar de constituir hoje para a Igreja - neste como em todos os casos análogos- um motivo de profundo pesar. O Concílio recordou-nos oportunamente que a verdade "não se impõe de outro modo senão pela sua própria força" (Dignitatis humanae,1). Por isso, ela deve ser testemunhada no absoluto respeito da consciência e da dignidade de cada pessoa.
     
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AQUINO, Felipe, Para entender A Inquisição. Ed. Cléofas, Lorena, 2012.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Um apelo aos pais, um apelo aos jovens.

        Já faz um tempo que venho percebendo que muitos jovens estão frustrados, cansados, e perdidos, isso não é novidade para ninguém basta ler uma revista que aborde o tema, ou perguntar para os seus pais, eles dirão o mesmo: "os jovens não são mais como antigamente" ou a célebre frase: "no meu tempo..." e eu terei de concordar com nossos pais, eu sou uma dessas jovens que estão perdidas nesse mundão de Deus, mas o porque vemos hoje uma juventude sem sentido real de existência? Tentarei responder, o assunto dá muito pano para manga, eu poderia fazer uma análise histórica, antropológica e sociológica, sim eu poderia, mas não é a minha intenção quem sabe em outra ocasião. Nesse post irei falar com base nas coisas que vi e vivi, na conclusão que cheguei por meio das minhas experiências, vamos lá.
       Bom o que eu posso dizer, onde a juventude tem depositado suas expectativas? Quais os modelos ideais de vida? Em quem o adolescente e o jovem pode se espelhar? O que é bonito hoje para um jovem? Quais as músicas que ele ouve? Qual a noção de certo e errado, qual a noção de moral que um jovem hoje de, sei la, 16 ou 17 anos tem? Essas e muitas outras perguntas são fundamentais para entender o padrão comportamental dessa turma, eu não preciso responder qualquer pessoa que tenha noção da realidade responderá automaticamente sem pestanejar todas essas perguntas e eu tenho certeza que a maioria das respostas serão negativas, não quero generalizar, claro que sei e conheço muitos jovens que tem uma noção de integridade moral excelente e isso nos faz acreditar que nem todo futuro da humanidade está perdido.
         Algo que é visível na juventude hoje é uma carência tão grande mas tão grande, uma necessidade de chamar atenção tão desesperadora que faz o jovem perder o senso de em quem ele pode ou não chamar atenção, o adolescente tem necessidade de chamar atenção, e não importa se ele venha lá da alta sociedade ou lá da favela mais pobre ou violenta que você conheça, isso é natural, cada um vai canalizar isso de uma maneira diferente e muitos de uma maneira errada, o jovem age por impulso e isso também não é novidade, e agora eu tenho que dizer, a culpa de um jovem depositar todo emocional em pessoas ou coisas erradas é sim, culpa dos pais! Não dá para negar, a não ser que seu filho tenha problemas com o caráter, mas isso só uma psicologa pode dizer. Mas vamos chamar atenção dos pais aqui pois é necessário, pai e mãe preste atenção no seu filho, se o seu filho está dando problemas não passe a mão na cabeça dele dizendo "isso é fase..." essa fase pode durar muitos e muitos anos, o jovem precisa de amor, de atenção, de regras, de limites, de moral!! Eu fico abismada com pai e mãe que não coloca limites nos filhos, o filho começa aprontando fazendo coisas pequenas, fuma uma maconha aqui, pega o carro escondido ali, pega dinheiro escondido e os pais deixam passar, pelo amor de Deus prestem atenção nos seus filhos!! Mas então alguém vai me dizer "e o garoto que não tem pai e mãe? Ou tem maus exemplos dentro de casa?" e eu vou te responder, ninguém dá o que não tem, não justifico os erros de ninguém aqui, mas é compreensível, não é? Todos pagaremos por nossos erros nessa vida, disso não podemos escapar, mas os erros que cometemos por omissão, por descaso, por pena dos nossos filhos terão de ser respondidos diante da vida e de Deus.
         A juventude hoje vive o agora, é o discurso do "viva a vida", ouço muitos dizendo que a vida é curta e que temos que aproveitar enquanto podemos, e nessa de aproveitar vem um filho, vem um vício, vem a morte. A juventude está se imbecilizando por um prazer que tira tudo que ela tem, está se tornando medíocre por uma curtição, por aceitação de um grupo mais ignorante, por aplausos de gente que não se importa com o sofrimento de ninguém, o jovem busca na rua resposta e preenchimento de um vazio que não consegue ser preenchido em casa e nem com amigos. Você que é jovem e você que já foi jovem sabe que eu falo a verdade, mesmo que seja clichê, não deveria, pois a causa da degradação moral da sociedade começa lá na juventude, um cidadão imoral, corrupto foi um jovem problemático, a sociedade está sem base, sem alicerce porque a juventude está sendo criada sem base e sem alicerce. Isso não deveria ser clichê, isso deveria ser preocupante!
        E acredito que posso ir  além ao dizer, que quando nos anos 60 a libertação sexual começou e o ateísmo e a imoralidade tomaram conta dos jovens da época foi o início da degradação social e, se hoje assistimos de camarote o desperdício de vidas e de almas com descaso, como se fosse uma coisa normal é por culpa desses fatores: Libertação Sexual, Imoralidade, Ateísmo e falta de Deus e de valores. Sabe porque a maioria das pessoas que se convertem ao Islã são jovens? Porque o jovem está pedindo, implorando por regras, leis, algo que os freie e diga "calma, isso não é certo".
        Só peço que você, seja jovem ou pais de jovens, preste atenção, jovem não seja mais um somente, não deixe sua vida ser um rascunho mal escrito do que ela poderia ter sido, você vale mais, você merece mais do que o mundo e os valores do mundo te oferecem, agora a curtição é legal, você tem "amigos", status, mas uma hora o sofrimento chega, as consequências chegam e com o que você poderá se sustentar, qual o seu alicerce? Pense por si, não pense o que é comum a todos pensarem. E aos pais eu repito, coloquem limites, não pensem que é "só uma fase", ensinem o certo e o errado e mostrem aos seus filhos que nessa vida cada atitude nossa tem uma consequência maior que ficar de  castigo sem mesada, ou sem poder sair no final de semana.

(Grease, Nos tempos da brilhantina)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

13 de Maio - As Aparições de Nossa Senhora de Fátima


Primeira Aparição de Nossa Senhora de Fátima
Dia 13 de Maio de 1917.
 Era uma Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol, irradiando luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente.Lúcia, Francisco e Jacinta estavam brincando num lugar chamado Cova da Iria. De repente, observaram dois clarões como de relâmpagos, e em seguida viram, sobre a copa de uma pequena árvore chamada azinheira, uma Senhora de beleza incomparável.
Sua face, indescritivelmente bela, não era nem alegre e nem triste, mas séria, com ar de suave censura. As mãos juntas, como a rezar, apoiadas no peito, e voltadas para cima. Da sua mão direita pendia um Rosário. As vestes pareciam feitas somente de luz. A túnica e o manto eram brancos com bordas douradas, que cobria a cabeça da Virgem Maria e lhe descia até os pés.
Lúcia jamais conseguiu descrever perfeitamente os traços dessa fisionomia tão brilhante. Com voz maternal e suave, Nossa Senhora tranqüiliza as três crianças, dizendo:
Nossa Senhora: “Não tenhais medo. Eu não vos farei mal.”
E Lúcia pergunta:
Lúcia: “Donde é Vossemecê?”
Nossa Senhora: “Sou do Céu!” 

Lúcia: “E que é que vossemecê me quer?
Nossa Senhora: “Vim para pedir que venhais aqui seis meses seguidos, sempre no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Em seguida, voltarei aqui ainda uma sétima vez.”
Lúcia: “E eu também vou para o Céu?”
Nossa Senhora: “Sim, vais.”
Lúcia: “E a Jacinta?”
Nossa Senhora: “Também”
Lúcia: “E o Francisco?”
Nossa Senhora: “Também. Mas tem que rezar muitos terços”.
Nossa Senhora: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser mandar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?”
Lúcia: “Sim, queremos”
Nossa Senhora: “Tereis muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto”.
Ao pronunciar estas últimas palavras, Nossa Senhora abriu as mãos, e delas saía uma intensa luz.
Os pastorinhos sentiram um impulso que os fez cair de joelhos, e rezaram em silêncio a oração que o Anjo havia lhes ensinado:
As três crianças: “Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento.”
Passados uns momentos, Nossa Senhora acrescentou:
Nossa Senhora: “Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo, e o fim da guerra.”
Em seguida, cercada de luz, começou a elevar-se serenamente, até desaparecer.




(Texto retirado do site Devotos de Fátima, o restante da história vc pode acompanhar no link)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Uma oferta consciente.

        Convinha procurar um equilíbrio, desejar um desabrochamento, conhecer uma esperança; contando que se compreendesse que o objetivo estava além e mais acima, e essas aspirações eram modalidades de uma orientação cada vez mais norteada para o Senhor.
        Desde então, a esperança vai tornar-se oferecimento, o desabrochamento será alcançado para o plano espiritual; o equilíbrio dese ser sempre procurado e mantido, para que tudo que se estabeleça segundo a ordem benfazeja de uma hierarquia justa.
        Claro está que é “no” e “pelo” dever de estado, cumprido por amor de Deus, que repousa o princípio de toda santificação; nossa oblação deve, porém, ser uma oferta consciente e não uma espécie de passividade mecânica e sem alma. Temos necessidade de conhecer a finalidade de nossos esforços e de discernir o sentido de nossos sacrifícios.
         Para que tenha valor e beleza esta oração: “Meus Deus, extingui em mim toda esperança humana, toda expectativa, todo projeto pessoal, para que se faça doravante um vácuo onde Vossa graça possa livremente agir”, é preciso que tenha, havido, de fato, anteriormente uma personalidade consciente de suas aspirações e possibilidades; e que o “vácuo” seja o resultado de renúncias ao que era “excessivamente” humano em nós.
         Por serem lúcidas e dolorosas é que essas renúncias adquirem um valor santificante, e tem um sentido aos olhos de Deus, pois que são esforços e provas de amor.

Livro: Pertencemos ao Senhor, Jacqueline Montvic, 1962, Ed. Flamboyant